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Nova terapia provoca ‘suicídio’ das células do câncer

  Cientistas dos Estados Unidos descobriram o primeiro tipo de composto que faz com que […]

Publicado: Quarta-feira, 11 de outubro de 2017.

 

Cientistas dos Estados Unidos descobriram o primeiro tipo de composto que faz com que as células cancerosas se “suicidem” sem afetar as células saudáveis ao redor. O novo método, descrito nesta segunda-feira na revista “Cancer Cell”, mostrou resultado contra células de leucemia mieloide aguda, mas, segundo o autor sênior da pesquisa, Evripidis Gavathiotis, ele também tem potencial para atacar outros tipos de câncer.

“Esperamos que os compostos direcionados que estamos desenvolvendo se tornem mais eficazes do que as terapias anticâncer atuais, fazendo células cancerosas se autodestruírem”, afirma Gavathiotis, que também é professor de bioquímica e de medicina da Faculdade de Medicina Albert Einstein, onde o estudo foi conduzido. “De forma ideal, nossos compostos seriam combinados com outros tratamentos para matar células cancerosas de forma mais rápida e eficiente, e com menos efeitos adversos, que são um problema muito comum com quimioterapias padrão”.

A leucemia mieloide aguda representa em torno de 80% de todas as leucemias agudas em adultos, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Essa doença afeta principalmente adultos mais velhos, sendo rara antes dos 45 anos. A idade média de um paciente com leucemia mieloide aguda é de 67 anos.

A taxa de sobrevivência para os pacientes tem permanecido em cerca de 30% durante as últimas décadas, então existe urgência na descoberta de novos e melhores tratamentos.

O recém-descoberto composto combate o câncer desencadeando a apoptose — um processo de morte celular programada, ou “suicídio celular”. Ela é diferente da sua prima mais conhecida, a necrose, na qual as células morrem por causa de uma lesão. A apoptose é um processo ordenado, no qual o conteúdo da célula é esvaziado e eliminado pelo sistema imunológico.

A apoptose ocorre quando uma proteína chamada BAX é ativada na célula. Uma vez que isso acontece, as moléculas de BAX fazem buracos letais nas mitocôndrias, as partes das células que produzem energia. Mas, muitas vezes, as células cancerosas conseguem impedir a BAX de matá-las. Elas asseguram sua sobrevivência produzindo grandes quantidades de proteínas “anti-apoptóticas” que suprimem a BAX.

“Nosso novo composto revive as moléculas de BAX suprimidas em células cancerosas”, assegura Gavathiotis. “A proteína BAX pode então entrar em ação, matando células cancerosas, deixando as células saudáveis intocadas”.

O pesquisador Gavathiotis foi o principal autor de um artigo de 2008 na “Nature” que descreveu, pela primeira vez, a estrutura e a forma de ativação da BAX. Ele já procurou pequenas moléculas que podem ativar a BAX fortemente para superar a resistência das células cancerosas à apoptose. Sua equipe inicialmente usou computadores para exibir mais de um milhão de compostos com o objetivo de revelar aqueles com potencial de ligação de BAX. Os 500 compostos mais promissores — muitos deles recentemente sintetizados pelo time de Gavathiotis — foram então avaliados em laboratório.

“Um composto denominado BTSA1 (abreviação de “BAX Trigger Site Activator 1″) provou ser o ativador de BAX mais potente, causando apoptose rápida e extensa quando adicionado a várias linhas celulares humanas diferentes”, explica outro autor do estudo, Denis Reyna, que é estudante de doutorado no laboratório de Gavathiotis.

Os pesquisadores testaram a BTSA1 em amostras de sangue de pacientes com leucemia mieloide aguda de alto risco. O resultado não poderia ser melhor: a BTSA1 induziu apoptose nas células de leucemia dos pacientes, mas não afetou as células estaminais saudáveis que formaram sangue dos pacientes.

Agora, Gavathiotis e sua equipe se debruçam sobre pesquisas para verificar se a BTSA1 mostrará eficácia similar quando testada em modelos animais de outros tipos de câncer.

 

Matéria Retirada na Íntegra do Portal Gazeta On Line.

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